Fim do despique
Cansado, faminto, não tive como não voltar à Ti Lena. As eleições na América, o fim da austeridade até 2014, foram golpes demasiado profundos para resisitir à ausência do meu tasco. Abri a porta das traseiras, a medo, e mal se vislumbrou o meu rosto na cozinha, ouvi Ti Lena a gritar:
És tu que vejo meu traste
Como tu podes aqui voltar?
Não viste que desgraçaste
Quem não pode ainda votar?
Ajoelhei-me naquele mesmo momento, pedindo perdão, clemência, rogando:
Tia minha, não o sendo
Já também ninguém vota
Mesmo assim o pudendo
Nada conta, ninguém nota
Pegando no cutelo que estava na mesa, vem ela para mim e retorque:
Não quero saber de eleições
Quando minha filha é violada
Hoje vais ficar sem colhões
E Susaninha ficará honrada!
Juntei minhas mãos em prece e chorei este versos:
Que não violei ninguém
E tudo deixei inteiro
Quanto à honra, porém
Nem sequer fui o primeiro.
E ao acabar de dizer estas palavras, eis que vem a própria ninfeta. Diz esta, lavada em lágrimas de crocodilo:
Tanto mentes, que agora
Metade de mim já sou
Como mentiste na hora
Que minha pureza findou.
Vendo assim meu triste fado e adivinhando minha carreira futura de fadista eunuco, virei-me para elas e cantei, este fado, que nem cisne:
Minha querida Susaninha
Fonte de pecado que é o meu
Sabes bem que essa coninha
Todo este bairro já correu.
E eu que não engano ninguém
Nem no palco, nem na cama
Não deixo a minha vida sem
Cantar esta última trama.
Pois se a filha, minha querida
Entre as pernas, tudo encanta
A mãe que lhe entregou a vida
Também não é nenhuma santa.
Cutelo a afiar
Era sempre uma grande farra
Quando nós, já bebados a cair
Víamos quem metia a guitarra
Por onde havias tu de sair.
Cutelo afiado
Era a guitarra, a viola, o violão
E quem viesse por mal ou bem
Sendo essa a única e triste razão
Para não teres pai, só uma mãe!
Cutelo ensanguentado
E fica, sabendo que sou eu
Teu pai, que aqui morreu...
Susaninha
Filha minha...
Lágrimas no cutelo
Morreu o fadista
Viva o fadista
(Vingas-me ò Zé?)
És tu que vejo meu traste
Como tu podes aqui voltar?
Não viste que desgraçaste
Quem não pode ainda votar?
Ajoelhei-me naquele mesmo momento, pedindo perdão, clemência, rogando:
Tia minha, não o sendo
Já também ninguém vota
Mesmo assim o pudendo
Nada conta, ninguém nota
Pegando no cutelo que estava na mesa, vem ela para mim e retorque:
Não quero saber de eleições
Quando minha filha é violada
Hoje vais ficar sem colhões
E Susaninha ficará honrada!
Juntei minhas mãos em prece e chorei este versos:
Que não violei ninguém
E tudo deixei inteiro
Quanto à honra, porém
Nem sequer fui o primeiro.
E ao acabar de dizer estas palavras, eis que vem a própria ninfeta. Diz esta, lavada em lágrimas de crocodilo:
Tanto mentes, que agora
Metade de mim já sou
Como mentiste na hora
Que minha pureza findou.
Vendo assim meu triste fado e adivinhando minha carreira futura de fadista eunuco, virei-me para elas e cantei, este fado, que nem cisne:
Minha querida Susaninha
Fonte de pecado que é o meu
Sabes bem que essa coninha
Todo este bairro já correu.
E eu que não engano ninguém
Nem no palco, nem na cama
Não deixo a minha vida sem
Cantar esta última trama.
Pois se a filha, minha querida
Entre as pernas, tudo encanta
A mãe que lhe entregou a vida
Também não é nenhuma santa.
Cutelo a afiar
Era sempre uma grande farra
Quando nós, já bebados a cair
Víamos quem metia a guitarra
Por onde havias tu de sair.
Cutelo afiado
Era a guitarra, a viola, o violão
E quem viesse por mal ou bem
Sendo essa a única e triste razão
Para não teres pai, só uma mãe!
Cutelo ensanguentado
E fica, sabendo que sou eu
Teu pai, que aqui morreu...
Susaninha
Filha minha...
Lágrimas no cutelo
Morreu o fadista
Viva o fadista
(Vingas-me ò Zé?)

